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domingo, 25 de março de 2012

Seduc Ceará propõe três modelos de ensino

A situação do ensino médio é tão crítica que apenas 20% dos alunos cearenses conseguem ou entrar no ensino superior ou ingressar no mercado de trabalho. O dado é da Seduc. Como não tem competência legal para alterar o currículo (isso depende do Congresso Nacional), a Seduc tenta implementar três modelos alternativos. Um deles é o da semestralidade, onde a grade do curso é alterada a cada seis meses, com professores e matérias novas incluídas a cada reinício. Esse passa por testes desde janeiro de 2011 e hoje está em 93 escolas noturnas.

Outro é o currículo por pesos utilizado na Europa; e outro é o sistema semanal (similar ao da semestralidade, com três disciplinas trabalhadas a cada sete dias). Esses dois começam a ser aplicados em maio, em 12 escolas que atuam de manhã e à tarde. “Os problemas ainda são maiores no ensino noturno. Todo mundo quer mudança. Só que algumas exigem cortar na carne”, pontua Rogers Mendes. “Não é só a escola profissionalizante que vai atrair o jovem. Ele ter que interagir com colegas e professores para ser um ser ativo no processo”, acrescenta Anízio Melo. (BC)

Fonte: O Povo

Currículo do ensino médio precisa mudar, diz Governo do Ceará

Modelo atual é criticado por alunos, especialistas, sindicato e a própria Secretaria da Educação. Todos concordam: aprender 13 disciplinas de forma simultânea é fator desestimulante. Outros sistemas passam por testes

Aos 18 anos, Samirames Cristiny integra uma nova geração de estudantes cearenses. Uma aposta de especialistas, professorado e Governo. Ela preferiu cursar também o ensino profissionalizante ao invés de apenas o ensino médio tradicional. Após três anos, formou-se em turismo pela Escola de Educação Profissional Paulo Petrola, na Barra do Ceará, em Fortaleza. “Se não fosse assim, eu não teria feito meu próprio plano de vida”, diz a jovem.

Ela, movimento sindical e até técnicos da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) levantam a bandeira de mudanças no currículo escolar médio, já considerado ultrapassado por submeter estudantes ao contato com 13 disciplinas diferentes de forma simultânea.

Segundo especialistas, esse modelo não garante altos índices de aprendizagem. No Estados Unidos, por exemplo, os alunos lidam com sete matérias obrigatórias. Em países da Europa, o peso delas varia conforme a área do conhecimento escolhida pelo jovem. Se ele preferir as ciências humanas, valerá na formação mais o estudo da língua nacional e história, por exemplo.

Algo que, para mudar por aqui, precisa ser reflexo de uma mobilização em todo o Brasil. Um debate já posto no Plano Nacional de Educação, que tramita no Congresso. “O currículo precisa ser mais atualizado e pensar o homem como ser mais completo. Deve identificar o aluno com a sua realidade. A escola precisa quebrar os muros e assumir essa nova sociedade, que interage na esquina e em bate-papos virtuais”, pontua o presidente do Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc), Anízio Melo.

Com cerca de 600 escolas de ensino médio regular, o Ceará vive o desafio da oferta diversificada de sistemas. “O maior problema do ensino tradicional não é ele em si. É toda escola fazer do mesmo jeito. A gente não pode universalizar um único modelo. Nem se pode trocar um modelo por outro. Temos é que atender aos anseios dos alunos. O currículo só se torna atrativo se dermos o poder de escolha a eles (estudantes). Tratar a todos mundo como iguais é um erro”, avalia o coordenador de aperfeiçoamento pedagógico da Seduc, Rogers Mendes.

Isso acontecendo, o acesso à escola na faixa etária dos 15 aos 17 anos pode melhorar no Estado. Na última segunda-feira, 19, O POVO mostrou que o Ceará ocupa a 17ª posição no ranking nacional dessa taxa de atendimento. Além disso, tem a sexta maior estatística de jovens fora da escola. Os dados são de 2010.

O cenário tem ligação direta com a qualidade do ensino fundamental, de onde muitos saem sem efetuar uma simples operação matemática de multiplicação. Outros sequer vão adiante. A defasagem acaba tendo que ser recuperada nos três anos subsequentes. “Discussão de currículo volta sempre, mas não pode se mudar só por modismo. Tem que se levar conhecimentos mais significativos para os alunos”, pondera o orientador da Célula de Estudos e Pesquisas da Seduc, Daniel Lavor.
fonte: Apeoc

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Já pensou se o Exército resolver fazer greve?


E se o Exército resolver fazer greve?
Plínio Bortolotti

Imaginem se integrantes do Exército Brasileiro resolvessem fazer greve; para potencializar o efeito, iniciariam o movimento em data que, hipoteticamente, as fronteiras do país estivessem ameaçadas. E, armados, passassem a invadir quartéis, retendo e danificando veículos de combate.
Aqueles que comparam a greve da Polícia Militar com o movimento de uma categoria qualquer estão convidados a pensar sobre o assunto e em suas conseqüências.
Não por acaso a Constituição de 1988, surgida após a queda da ditadura fardada, proíbe a sindicalização e a greve de militares.
Contraditório é que, a cada vez que se fala em desmilitarização da PM, lobbies acorrem para barrar a medida. Querem manter a condição militar, sem o ônus decorrente da escolha.
Dito isso, é preciso anotar que o governo do Estado tem sua parcela de responsabilidade na grave da PM, que deixou a população refém do medo. Faltou competência para ver os sinais que se avolumavam. 
Alguns políticos acham que basta ser “bom gerente”. Toca-se a administração pública com lógica de engenheiro, esquecendo-se que a política (no sentido amplo e restrito) é muito mais complicada do que uma coleção de dados, números e obras.
Agora, tem-se de lidar com um péssimo exemplo: uma greve inconstitucional, com manifestantes armados, arrancou do governo, em cinco dias, o que professores não conseguiram em 62 dias de movimento.
Foi por água abaixo a máxima: “O governo não negocia com categorias em greve”.
Agora, é preciso sinais consistentes de que de haverá disposição para conversar abertamente com o funcionalismo. Caso contrário, ficará a impressão de que a violência é o melhor caminho para se arrancar reivindicações do Executivo.

 
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